Estúdio Denise Fotos |
Os sonhos do bailarino Alex Sandro
Barbosa, foram interrompidos de forma trágica na tarde do domingo, 11 de
novembro, em Guaíba, no Rio Grande do Sul. O jovem de 18 anos morreu vitima de
afogamento, num açude localizado na zona rural do município que o viu crescer e
alçar seus próprios vôos.
A história do menino guaibense que encontrou na dança a motivação para
reescrever sua história é a prova de que tudo que um desejo precisa para se
tornar realidade é de alguém que acredite nele. E, foi exatamente isto que aconteceu, anos atrás, no caminho da criança
franzina e tímida, que por destino ou sorte, encontrou uma mulher, que lhe deu a mão e o coração, o fazendo ver, o quanto era capaz.
Relembre sua trajetória
Alex Sandro Barbosa nasceu em um dos bairros mais pobres e violentos de
Guaíba, onde até os dias atuais, muitas esperanças e vidas se perdem em meio ao
trafico. Foi nesta mesma comunidade que ainda muito pequeno, entrou pela
primeira vez na aula de Rosaura Alves, professora que atuava no Grupo Vida, projeto
social de dança junto a jovens e crianças carentes do bairro São Jorge,
realizado pela Secretaria Municipal de Educação.
Ali, naquele espaço precário, onde todos os conhecimentos do futuro
bailarino se resumiam ao funk, o talento e vocação para o balé foram revelados,
por aquela que muito mais do que sua instrutora, tornou-se a Fada Mãe, do mundo
novo, repleto de realizações, lutas, vitórias e descobertas que estavam por vir.
Em 2012, o sonho tomou forma, quando o menino conquistou uma das
disputadas vagas para a Escola de Theatro Balé Bolshoi, equipe russa, com sede
em Moscou e Joinville (SC), onde permaneceu com o auxílio de doações pelo
período de sete anos na cidade catarinense.
A infância simples, a falta de estrutura familiar e todos os outros
problemas que o acompanharam por toda sua breve passagem por este plano, não o impediram
Alex de realizar seu sonho, vivendo a paixão pelo balé clássico longe de casa, junto
a grandes profissionais.
Sobre contar histórias e conhecer pessoas
O jornalismo tem isto de conhecer gente. Ouvir histórias. Depois
contá-las. Lembro daquela manhã de sol no café com Alex e Rosaura, um vinculo
que sempre mantive. Entre tantas perguntas, saudade e futuro foram algumas das questões trabalhadas naquela pauta.
O jovem, com 15 anos, na época, afirmava que no começo a saudade de
casa era maior, mas as amizades que conquistou no novo estado o ajudam a
superar a distância de sua cidade natal e da companhia dos familiares: “Viver
lá é cansativo, mas é bom. Nunca imaginei que minha vida pudesse dar esta
guinada, mas sou feliz com o rumo que ela tomou”.
A professora e o garoto haviam se adotado e mantinham uma relação de mãe
e filho, muito além dos laços que os encontros em sala de aula
proporcionavam, isto era incontestável. Sendo sua grande incentivadora, foi com
ela também que o garoto pobre pode ter acesso a outras atividades, conhecendo
novos lugares e oportunidades, o que gerou o fortalecimento deste vinculo entre
os dois.
Sobre seus
planos o dançarino de poucas palavras não excitava: “Gostaria de continuar na
escola do Bolshoi, aprender como é o mundo lá fora ingressando numa companhia
internacional, de preferência na Áustria ou Alemanha”.
E, assim encerro a história para a qual eu gostaria muito de ter escrito outro final.
Não
perdermos só o seu talento. Perdemos também os seus sonhos.
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